25.6.08

Estagiário ao mar

"- Senhor! Senhor! O estagiário caiu no mar!
Posso jogar uma bóia?
- Não sei ao certo se compensará o esforço
e custo da operação... Penso que ele será
mais útil aos tubarões."




- O que você está fazendo aqui?

A secretária do diretor geral perguntou-me asperamente após eu escancarar a porta da sala e entrar correndo com um envelope contendo um relatório importantíssimo na mão. Claro que ao ver um simples estagiário que acabara de iniciar na empresa adentrar a antesala gerencial daquela forma, ela não podia perceber a urgência da minha missão.

Era sexta-feira da minha primeira semana na empresa, faltavam seis minutos para as cinco da tarde, horário em que pontualmente um malote era levado para a matriz por seguranças em um carro forte. Nosso departamento devia enviar um relatório para o presidente da empresa na matriz e o malote era a única maneira do relatório chegar a tempo.

Telefonei para o nono andar, onde o malote era lacrado e solicitei que aguardassem a chegada do relatório no máximo dez minutos após as cinco da tarde. A senhorita do nono andar disse que não podia fazer nada, que aguardaria até as cinco em ponto. Eu expliquei que era um relatório importante para o presidente e que eu podia até ser demitido. A senhorita inflexível esperou eu terminar minhas lamentações explicou que a empresa de segurança era terceirizada e que levaria o malote às cinco em ponto com ou sem o relatório.

Eu ia começar a implorar, mas neste momento o chefe do meu departamento surgiu na minha frente com uma expressão preocupada e atirou o envelope com o relatório na mesa. Uma injeção de adrenalina percorreu meu sangue, eu larguei o telefone sem falar mais nada, agarrei o envelope firmemente com as duas mãos como se minha vida dependesse dele, tal como uma bóia atirada a mim em pleno alto mar, levantei e saí correndo pelo departamento e depois pelo corredor.

Faltavam três minutos, passei correndo pela porta do elevador que naquele momento não me seria útil....só a escada poderia me salvar... Enxergava apenas vagas silhuetas ao passar pelo corredor, pelas pessoas e até mesmo pelos degraus dos cinco andares que eu deveria vencer.

Cheguei a ficar meio tonto pelo exercício, pela respiração e por subir as escadas em forma de espiral, mas determinadamente atravessei mais um corredor, abri a porta e entrei correndo na sala da secretária do diretor que era no décimo andar em vez do nonoe ouvi a pergunta: "O que você está fazendo aqui?".

Uma nova injeção de adrenalina invadiu minha circulção e antes de sair correndo novamente para o andar debaixo respondi:

- Eu também não sei!

3 comentários:

Ivan disse...

Bah!!!!! Que loucura, cara!!

Vou começar um estágio semana que vem, já fui na empresa, mas eles se mudaram e eu não conheço o edifício novo ainda.

Só tomara que eu não tenha uma aventura como essa!! Até porque seria plágio!!

Um abraço.

Ana Lucia disse...

bonito empenho!
esse estagiário vai longe!
www.analucianicolau.adv.br

Игорь disse...

Olá Frank ;)

Tubarões ....Há os tubarões . Não invente com leões , sim ?? Hehehe

Muito bom texto sobre a insanidade . Só os Tubarões permanecem belos e saudáveis.

abraços